
Quanto mais eu tento esquecer, queimar todas as coisas que passamos, mais me vem a memória e a lembrança. Revejo fotos, e cada data, cada dia, lembro como se tivesse acontecendo agora, são detalhes que nunca esqueci, e quando revejo essas fotos, é como se tivesse passando por aquele momento novamente. Revejo as cartas, e em cada palavra me lembra cada gesto, carinho e coisas que partilhávamos. Olho para meu quarto, e algumas coisas que você me deu, me faz lembrar cujo dia passamos. É, cada palavra é como se fosse um dia completo. São lembranças que parecem que não vão sair mais, que estão aqui comigo. E depois de lembrar sorrindo, eu acordo e percebo que tudo mudou. É, você me machucou, sua frieza, seu "importar", suas atitudes e palavras. Não te julgo, não sou perfeita, mas eu achei que amizade fosse além de muito, amizade que é não vai embora. E ainda assim, com o coração tão pequeno e apertado, eu tenho vontade de jogar pro vento todo o meu rancor, toda minha mágoa, todo o meu orgulho, comprar cupcakes, comprar algum filme que gostávamos, e aparecer aí, do nada... assim, de repente. E dizer desculpas pelo que fiz, não tive intenção. Mas eu sei pedir desculpas pelos MEU atos. Embora nenhum deles tenham tido más intenções, eu sei quando estou errada e tenho a capacidade de assumir. De segurar na tua mão, te dar um abraço, e tentar recuperar todo o tempo perdido. Mas aí lembro quando te escrevi aquela carta e você se referiu como drama, e me jogou pra lá como um objeto qualquer, lembro que nunca parou para se referir a mim como uma saudade, como algo bom. E sim com tuas rudes palavras e atitudes. Lembro que nunca deu um passo em favor a nossa amizade. Aí leio algumas frases de Caio F. Abreu que refletem em tudo que estou sentindo, e digo para mim mesma: let it be. Porque de que adianta só eu nadar contra a correnteza? Somos dois, não sou apenas eu, tu não és perfeita, tu também errou, mas não se importas, então para quê? Então eu sento, choro, volto a relembrar de tudo, guardo tudo dentro de mim, e permanece em silêncio a ponto de explodir. Lembro como pessoas são inconstantes e que estou com medo disso, cada dia é uma mágoa nova. Pois eu pego meus doces, e me encho disso, para preencher esse vazio que você causou, e choro, choro mesmo, choro porque realmente embora disso tudo, eu amo você e isso nunca mudou e acho que nem vai mudar. E quase ninguém é capaz de entender isso. Não é recíproco. As pessoas nos surpreendem, e cansei de criar expectativas.